Planejamento de Produção: Como Definir Prazos, Recursos e Prioridades

Organize a produção, reduza atrasos e aproveite melhor os recursos disponíveis.

  • 30 set 2026
  • 36 min de leitura
  • Isabella Cardoso
  • 7 views
Planejamento de Produção: Como Definir Prazos, Recursos e Prioridades
Compartilhar in

 

 

O Planejamento de Produção é o processo utilizado para organizar de maneira antecipada tudo o que será necessário para transformar materiais, mão de obra, máquinas e informações em produtos acabados. Na prática, ele ajuda a empresa a definir o que deve ser produzido, em qual quantidade, em que período e com quais recursos disponíveis.

Quando a produção é organizada com antecedência, torna-se mais fácil distribuir atividades entre setores, estabelecer prazos realistas, conferir a disponibilidade de matérias-primas e verificar se a capacidade produtiva será suficiente para atender aos pedidos. Dessa forma, a empresa consegue trabalhar com uma visão mais ampla de suas necessidades e reduzir decisões tomadas apenas no momento em que os problemas aparecem.

O Planejamento de Produção também possui relação direta com áreas como estoque, compras e vendas. Um pedido registrado pelo setor comercial, por exemplo, pode gerar uma necessidade de fabricação. Para que essa fabricação ocorra dentro do prazo, é necessário verificar se existem materiais disponíveis, se haverá máquinas livres e se a equipe terá capacidade para executar as operações previstas.

Por isso, o planejamento não deve considerar apenas a quantidade a ser produzida. É necessário avaliar prazos, capacidade produtiva, disponibilidade de materiais, mão de obra, sequência das operações e prioridades. Esses elementos precisam estar alinhados para que a produção consiga atender à demanda sem sobrecarregar determinados recursos.

Quando esse processo não é realizado adequadamente, diferentes problemas podem surgir. A empresa pode prometer prazos que não consegue cumprir, iniciar ordens sem todos os materiais necessários, comprar matéria-prima em excesso ou manter máquinas paradas por falta de programação. Também podem ocorrer filas entre etapas, aumento de retrabalho e dificuldade para identificar quais pedidos realmente precisam ser produzidos primeiro.

Outro ponto importante é acompanhar o que foi planejado e comparar com o que realmente aconteceu. Se uma ordem deveria ser concluída em oito horas, mas utilizou doze, essa informação precisa ser considerada nos próximos planejamentos. O mesmo vale para perdas, paradas, atrasos e diferenças na quantidade produzida.

Dessa maneira, o Planejamento de Produção não deve ser tratado como uma atividade isolada. Ele precisa ser atualizado conforme pedidos, estoques, recursos e condições da operação mudam, permitindo que a empresa mantenha sua programação mais próxima da realidade do processo produtivo.


O que é Planejamento de Produção e como funciona?

O Planejamento de Produção é responsável por organizar antecipadamente as necessidades da operação para que os produtos sejam fabricados nas quantidades e nos prazos esperados. Ele utiliza informações de diferentes setores para determinar o que precisa ser produzido e quais condições serão necessárias para executar essa produção.

O processo normalmente começa com uma necessidade. Essa necessidade pode surgir de um pedido de cliente, de uma previsão de vendas, de um nível mínimo de estoque ou de uma programação previamente estabelecida.

A partir dessa demanda, a empresa precisa analisar se possui capacidade suficiente para produzir. Também é necessário verificar matérias-primas, componentes, máquinas, operadores e tempo disponível.

Imagine uma indústria que recebe pedidos totalizando 5.000 unidades de determinado produto para entrega ao longo das próximas semanas. Antes de liberar a fabricação, não basta dividir essa quantidade entre os dias disponíveis. É necessário verificar quanto tempo cada unidade leva para ser produzida, quais equipamentos serão utilizados, quais materiais serão consumidos e quais outros produtos disputarão os mesmos recursos.

O Planejamento de Produção permite transformar essas informações em uma organização estruturada da operação.

Quais são os objetivos do planejamento da produção?

Um dos principais objetivos é equilibrar demanda e capacidade produtiva.

Isso significa verificar se aquilo que precisa ser produzido pode realmente ser executado dentro do período disponível. Quando a demanda é superior à capacidade, a empresa precisa identificar o problema com antecedência e avaliar alternativas, como reorganizar prioridades, ajustar datas ou redistribuir recursos.

Outro objetivo é melhorar a utilização dos recursos disponíveis. Máquinas, operadores e materiais precisam estar disponíveis no momento correto para evitar interrupções.

Entre os principais objetivos estão:

  • Organizar as necessidades de fabricação.

  • Definir quantidades que devem ser produzidas.

  • Estabelecer prazos.

  • Planejar materiais e componentes.

  • Distribuir a utilização de máquinas.

  • Avaliar a necessidade de mão de obra.

  • Definir prioridades.

  • Reduzir períodos de ociosidade.

  • Evitar sobrecarga da capacidade.

  • Melhorar o cumprimento dos prazos.

O Planejamento de Produção também ajuda a tornar as decisões mais previsíveis. Em vez de determinar diariamente o que produzir com base apenas nas urgências, a empresa consegue trabalhar com uma sequência previamente organizada.

Diferença entre planejamento, programação e controle da produção

Embora estejam relacionados, planejamento, programação e controle representam etapas diferentes.

O planejamento estabelece as necessidades gerais da produção. É nesse momento que a empresa identifica o que deverá ser produzido, em quais quantidades e aproximadamente em qual período.

A programação transforma essas necessidades em uma sequência operacional mais detalhada. Ela determina quais ordens serão executadas primeiro, quais máquinas serão utilizadas e quando cada atividade deverá começar e terminar.

Já o controle acompanha a execução do que foi programado. Ele registra informações da operação para verificar se o resultado está de acordo com o previsto.

Um fluxo simplificado pode ser representado desta maneira:

Planejamento → Programação → Execução → Controle → Análise.

Se uma empresa planeja fabricar 10.000 unidades durante determinado mês, a programação pode dividir esse volume por semanas, máquinas ou ordens. Durante a execução, o controle registra quanto realmente foi produzido, permitindo posteriormente comparar o resultado com o planejado.

Como pedidos e previsões se transformam em necessidades produtivas?

As necessidades produtivas normalmente surgem da demanda.

Uma empresa que trabalha sob encomenda tende a utilizar os pedidos confirmados como principal referência. Já uma empresa que produz para estoque pode utilizar históricos e previsões para determinar suas necessidades.

Independentemente do modelo, é importante transformar a demanda comercial em informações que possam ser utilizadas pela produção.

Esse processo pode seguir uma sequência como:

Pedido ou previsão → quantidade necessária → estoque disponível → necessidade líquida → materiais necessários → capacidade necessária → programação.

Suponha que existam pedidos de 1.500 unidades de um produto e que o estoque tenha 400 unidades disponíveis. A necessidade inicial de produção será de 1.100 unidades, desde que todo o estoque esteja realmente disponível para atender esses pedidos.

A partir dessa quantidade, a empresa poderá calcular quanto de cada matéria-prima será necessário e quantas horas de produção deverão ser reservadas.

Relação entre produção, estoque, compras e vendas

O Planejamento de Produção depende de informações de diferentes setores.

Vendas fornece informações sobre pedidos, quantidades solicitadas e prazos negociados.

Estoque informa quais produtos, matérias-primas e componentes estão disponíveis.

Compras precisa conhecer antecipadamente as necessidades de materiais para negociar e programar as aquisições.

A produção utiliza todas essas informações para organizar as ordens que serão executadas.

Quando essas áreas trabalham com informações desconectadas, podem surgir inconsistências. O setor comercial pode confirmar uma entrega sem verificar capacidade, enquanto compras pode adquirir materiais sem conhecer a demanda real.

A integração das informações reduz esse tipo de situação e facilita decisões mais coerentes com a realidade da operação.

Planejamento de curto prazo

O curto prazo está relacionado à execução mais próxima.

Pode envolver dias ou semanas, dependendo do tipo de produção.

Nesse horizonte são analisados detalhes como:

  • Ordens que devem entrar em produção.

  • Máquinas disponíveis.

  • Operadores.

  • Materiais separados.

  • Sequenciamento.

  • Prioridades.

  • Datas imediatas de entrega.

Mudanças no curto prazo costumam exigir atenção porque podem afetar diretamente ordens que já estão programadas.

Planejamento de médio prazo

O médio prazo normalmente trabalha com períodos maiores, como semanas ou meses.

Seu objetivo é avaliar se a capacidade disponível será suficiente para atender à demanda prevista.

Nesse nível podem ser analisadas necessidades de:

  • Contratação temporária.

  • Horas adicionais.

  • Aquisição de materiais.

  • Manutenção preventiva.

  • Redistribuição da capacidade.

  • Formação de estoques.

O médio prazo permite identificar necessidades antes que elas se transformem em problemas operacionais.

Planejamento de longo prazo

No longo prazo, a análise costuma ser mais estratégica.

A empresa pode avaliar crescimento da demanda, necessidade de novas máquinas, alterações no espaço produtivo, contratação de equipes ou expansão da capacidade instalada.

Enquanto o curto prazo responde principalmente à pergunta "o que produzir agora?", o longo prazo procura responder "qual estrutura será necessária para atender à produção futura?".

Principais informações utilizadas no planejamento

Para que o Planejamento de Produção seja confiável, as informações utilizadas também precisam estar atualizadas.

Entre as principais estão:

Pedidos de clientes: indicam produtos, quantidades e prazos necessários.

Previsões de vendas: ajudam a estimar necessidades futuras quando a produção ocorre antes da venda.

Estoque disponível: evita planejar fabricação ou compras desnecessárias.

Matérias-primas: mostram se existem insumos suficientes para executar as ordens.

Capacidade produtiva: indica quanto pode ser produzido dentro de determinado período.

Prazos de entrega: ajudam a determinar a sequência e as prioridades.

Ordens de produção: permitem acompanhar aquilo que já foi liberado para fabricação.

Quanto melhor a qualidade dessas informações, maior será a capacidade da empresa de construir um planejamento compatível com sua realidade.


Como definir os prazos no Planejamento de Produção?

Definir prazos é uma das etapas mais importantes do Planejamento de Produção, pois a data prometida para conclusão de um pedido precisa considerar o tempo necessário para executar todas as atividades envolvidas.

Um erro comum é considerar somente o tempo de fabricação principal. Na prática, o processo pode envolver preparação da máquina, separação de materiais, movimentação, inspeção, espera entre operações e liberação do produto acabado.

Por isso, o prazo precisa representar o ciclo completo.

Identificar a data necessária para cada pedido

O primeiro passo é conhecer a data em que cada produto precisa estar concluído.

Essa informação pode vir diretamente dos pedidos comerciais ou de uma programação interna.

A partir da data necessária, a empresa pode realizar o planejamento retroativo, identificando quando a produção deverá começar para que todas as etapas sejam concluídas dentro do período disponível.

Se determinado pedido precisa estar pronto no dia 20 e exige cinco dias úteis de produção, por exemplo, iniciar o processo no dia 19 evidentemente não será suficiente.

Esse cálculo deve considerar o calendário real da fábrica.

Calcular o tempo de cada etapa produtiva

Cada produto pode passar por diferentes operações.

Exemplo:

  • Corte.

  • Usinagem.

  • Montagem.

  • Acabamento.

  • Inspeção.

  • Embalagem.

Cada etapa possui um tempo próprio.

Para calcular o prazo total, é necessário conhecer esses tempos e entender quais operações precisam ser executadas sequencialmente.

Também é importante diferenciar tempo unitário e tempo de lote. Uma operação pode levar dois minutos por peça, mas ainda exigir trinta minutos de preparação antes que a primeira unidade seja produzida.

Considerar preparação de máquinas e equipamentos

A preparação, também conhecida como setup, representa o período necessário para ajustar uma máquina antes da execução de determinado produto ou operação.

Pode envolver:

  • Troca de ferramentas.

  • Regulagem.

  • Configuração.

  • Limpeza.

  • Posicionamento de materiais.

  • Testes iniciais.

Ignorar esse período pode gerar uma programação aparentemente possível no papel, mas inviável durante a execução.

Quando existem muitas trocas de produto durante o dia, o impacto dos tempos de preparação pode ser ainda maior.

Analisar o tempo de fabricação

O tempo de fabricação representa o período efetivamente utilizado para produzir as unidades planejadas.

Uma forma simplificada de estimá-lo é:

Tempo de produção = quantidade planejada × tempo médio por unidade.

Se uma máquina produz uma peça a cada três minutos e são necessárias 200 peças, serão necessárias aproximadamente 600 minutos de processamento, sem considerar preparação, pausas, perdas ou outras interferências.

Essas variáveis precisam ser adicionadas ao planejamento quando forem relevantes.

Incluir inspeções e controles de qualidade

Alguns produtos não podem seguir imediatamente para a próxima etapa.

Pode ser necessária uma inspeção dimensional, teste funcional, conferência visual ou outro procedimento de qualidade.

Essas atividades também consomem tempo e podem gerar necessidade de retrabalho quando algum problema é identificado.

Por isso, o prazo deve considerar tanto a execução da inspeção quanto possíveis tratamentos previstos para itens não conformes.

Considerar movimentação e armazenagem

O produto pode precisar ser transportado entre setores durante a produção.

Em operações maiores, essa movimentação pode representar uma parcela significativa do tempo total.

Também podem existir períodos de espera antes da próxima operação.

Se uma peça é concluída no setor A, mas precisa aguardar várias horas antes de entrar no setor B, esse intervalo faz parte do tempo real necessário para conclusão.

Criar uma margem para imprevistos

Nenhum processo produtivo é totalmente livre de variações.

Uma máquina pode apresentar parada, um fornecedor pode atrasar ou uma ordem pode precisar de retrabalho.

Isso não significa adicionar grandes margens de segurança indiscriminadamente a todos os pedidos. O ideal é utilizar históricos para entender quais processos apresentam maior variação e ajustar os prazos de maneira coerente.

O Planejamento de Produção deve buscar prazos realistas, e não apenas datas teoricamente possíveis em condições perfeitas.

O que pode interferir nos prazos de produção?

Diversos fatores podem modificar uma programação.

Falta de matéria-prima: uma ordem pode estar programada, mas não poderá iniciar se os materiais necessários não estiverem disponíveis.

Quebra ou manutenção de máquinas: equipamentos indisponíveis reduzem temporariamente a capacidade.

Retrabalho: atividades adicionais ocupam recursos que poderiam estar executando novas ordens.

Atrasos de fornecedores: podem impedir que os componentes sejam recebidos no período previsto.

Mudanças nos pedidos: alterações de quantidade ou especificação podem exigir reprogramação.

Capacidade limitada: mesmo com materiais disponíveis, pode não existir tempo suficiente nas máquinas.

Ausência de operadores: determinados equipamentos ou processos podem depender de profissionais específicos.

Acompanhar essas ocorrências permite atualizar prazos antes que os atrasos se acumulem.


Como calcular a capacidade produtiva disponível?

A capacidade produtiva representa quanto uma empresa consegue produzir dentro de determinado período utilizando os recursos disponíveis.

Conhecer essa capacidade é indispensável para o Planejamento de Produção, porque não é possível elaborar uma programação realista sem saber quantas horas, máquinas e operadores estarão efetivamente disponíveis.

Uma fábrica pode receber demanda para 20.000 unidades, por exemplo, mas possuir capacidade para fabricar apenas 15.000 no período considerado. Sem identificar essa diferença, os atrasos surgirão durante a execução.

Levantar máquinas e equipamentos disponíveis

O primeiro passo é identificar quais recursos produtivos podem ser utilizados.

Esse levantamento pode incluir:

  • Máquinas.

  • Linhas de produção.

  • Bancadas.

  • Fornos.

  • Equipamentos de montagem.

  • Ferramentas especiais.

  • Postos de trabalho.

Também é necessário identificar quais produtos podem ser processados em cada recurso.

Nem sempre duas máquinas aparentemente semelhantes possuem exatamente a mesma capacidade.

Avaliar a quantidade de operadores

Ter uma máquina disponível não significa necessariamente que ela poderá operar.

É preciso verificar se haverá operadores suficientes durante o período planejado.

Algumas máquinas exigem operadores específicos ou profissionais com determinado treinamento. Outras podem ser acompanhadas simultaneamente por um mesmo funcionário.

Essas características precisam ser consideradas no cálculo.

Identificar turnos e horas produtivas

A capacidade começa pela quantidade de horas disponíveis.

Uma empresa que trabalha oito horas por dia durante cinco dias possui inicialmente quarenta horas semanais por recurso.

Entretanto, nem todas essas horas serão necessariamente produtivas.

É necessário descontar períodos como:

  • Intervalos.

  • Reuniões.

  • Limpezas.

  • Preparações.

  • Manutenções.

  • Paradas planejadas.

O resultado representa uma capacidade mais próxima da disponibilidade real.

Considerar paradas programadas

Manutenções preventivas e outras paradas já conhecidas precisam aparecer no Planejamento de Produção.

Se uma máquina estará indisponível durante uma manhã inteira, essas horas não devem ser utilizadas na programação.

Ignorar paradas conhecidas cria uma capacidade fictícia e pode gerar sobrecarga.

Avaliar os tempos médios de produção

Conhecer somente as horas disponíveis não é suficiente.

É necessário saber quanto tempo cada produto consome nesses recursos.

Se uma máquina possui 40 horas disponíveis e determinado item utiliza 30 minutos por unidade, a capacidade teórica seria de aproximadamente 80 unidades, considerando apenas o tempo de processamento.

Quando diferentes produtos utilizam a mesma máquina, é necessário converter a demanda em horas necessárias para verificar se existe capacidade suficiente.

Comparar capacidade disponível e demanda

Depois de calcular as horas disponíveis, é possível comparar com a carga necessária.

Exemplo:

  • Capacidade disponível: 160 horas.

  • Necessidade das ordens: 190 horas.

Nesse cenário existe uma sobrecarga de 30 horas.

Essa informação permite agir antes da execução.

A empresa pode:

  • Alterar prioridades.

  • Reprogramar algumas ordens.

  • Utilizar outro equipamento compatível.

  • Avaliar horas adicionais.

  • Ajustar datas de entrega.

  • Terceirizar alguma operação, quando aplicável.

Essa análise ajuda a evitar uma programação impossível de ser cumprida.

Capacidade planejada x capacidade realizada

A capacidade planejada representa aquilo que deveria estar disponível e ser utilizado.

Já a capacidade realizada mostra o que realmente aconteceu durante a execução.

A comparação ajuda a identificar perdas, desvios e oportunidades de melhoria.

Indicador Planejado Realizado
Horas disponíveis 160 horas 150 horas
Horas utilizadas 145 horas 142 horas
Quantidade produzida 2.000 unidades 1.850 unidades
Perdas 30 unidades 65 unidades
Paradas 8 horas 18 horas

Nesse exemplo, a empresa inicialmente planejou 160 horas disponíveis, mas teve apenas 150 horas efetivas. Também produziu menos unidades e registrou um volume maior de paradas.

Essas diferenças precisam ser investigadas.

Por que acompanhar a capacidade realizada?

A capacidade teórica nem sempre representa aquilo que a empresa consegue produzir na prática.

Se o histórico mostra que determinado equipamento apresenta períodos frequentes de parada, utilizar 100% da capacidade teórica no planejamento pode gerar programações pouco realistas.

Ao acompanhar a execução, a empresa pode ajustar seus parâmetros.

Isso torna o Planejamento de Produção progressivamente mais preciso, porque as próximas programações passam a utilizar dados baseados no comportamento real da operação.


Como definir os recursos necessários para a produção?

Definir os recursos necessários significa identificar tudo o que será utilizado para executar as ordens programadas. Essa etapa do Planejamento de Produção evita que a fabricação seja iniciada sem materiais, máquinas, ferramentas, operadores ou tempo suficientes.

Antes de liberar uma ordem, é importante verificar se os recursos estarão disponíveis no período em que serão necessários.

Levantar as necessidades das ordens de produção

Cada ordem possui necessidades próprias.

Um produto pode utilizar determinadas matérias-primas, passar por máquinas específicas e exigir ferramentas diferentes de outro item produzido pela mesma empresa.

Por isso, o levantamento deve começar pelas características do produto e de seu processo.

Entre as informações que podem ser verificadas estão:

  • Quantidade que será produzida.

  • Materiais necessários.

  • Quantidade de cada material.

  • Operações que serão executadas.

  • Máquinas necessárias.

  • Ferramentas.

  • Tempo previsto.

  • Profissionais envolvidos.

Essas informações permitem calcular a carga necessária para executar cada ordem.

Identificar matérias-primas e componentes

A produção somente pode avançar quando os materiais necessários estiverem disponíveis.

Por isso, é importante conhecer a composição de cada produto.

Se determinado item utiliza cinco componentes, todos precisam estar disponíveis no momento correto. Ter quatro deles em estoque pode não ser suficiente para iniciar a fabricação.

O planejamento deve considerar:

  • Quantidade necessária por produto.

  • Quantidade total necessária para a ordem.

  • Perdas previstas.

  • Saldo disponível.

  • Materiais já reservados.

  • Materiais aguardando recebimento.

Esse controle reduz o risco de liberar ordens que precisarão ser interrompidas posteriormente.

Conferir o estoque disponível

O saldo registrado nem sempre representa a quantidade realmente livre para utilização.

Parte do estoque pode estar comprometida com outras ordens.

Imagine que existam 1.000 unidades de determinado componente em estoque, mas 700 já estejam reservadas para ordens anteriores. Nesse caso, apenas 300 estarão efetivamente disponíveis para novas necessidades.

O Planejamento de Produção precisa considerar o saldo livre, e não somente o saldo total.

Também é importante conferir materiais em inspeção, bloqueados ou indisponíveis por outros motivos.

Verificar a necessidade de compras

Depois de comparar necessidade e estoque disponível, é possível identificar eventuais faltas.

Se são necessárias 2.000 unidades de uma matéria-prima e existem somente 1.200 disponíveis, será necessário providenciar pelo menos as 800 unidades restantes, considerando ainda estoques de segurança ou outras necessidades da empresa.

O prazo do fornecedor precisa estar alinhado ao início previsto da produção.

Comprar o material depois da data programada para fabricação pode impedir o cumprimento do prazo.

Por isso, compras e produção precisam compartilhar informações constantemente.

Avaliar máquinas e ferramentas necessárias

Além dos materiais, cada operação pode exigir equipamentos específicos.

É necessário verificar se esses recursos estarão disponíveis na data prevista.

Uma máquina pode existir na fábrica, mas já estar totalmente ocupada com outras ordens.

O mesmo ocorre com ferramentas especiais, moldes, dispositivos e instrumentos de medição.

O planejamento deve verificar possíveis disputas pelos mesmos recursos.

Definir a necessidade de mão de obra

A mão de obra precisa ser analisada de acordo com cada operação.

Alguns processos exigem profissionais especializados, enquanto outros podem ser executados por diferentes operadores.

É importante considerar:

  • Quantidade de trabalhadores.

  • Turnos.

  • Qualificações necessárias.

  • Férias programadas.

  • Ausências conhecidas.

  • Distribuição entre setores.

Quando a empresa programa diversas ordens simultaneamente sem verificar a disponibilidade da equipe, pode criar uma capacidade que existe apenas no planejamento.

Considerar recursos terceirizados

Algumas empresas possuem etapas executadas externamente.

Pode ser o caso de pintura, tratamento térmico, usinagem, acabamento ou outros serviços.

Quando isso ocorre, o terceiro também passa a fazer parte do Planejamento de Produção.

É necessário considerar:

  • Prazo de envio.

  • Tempo de execução.

  • Prazo de retorno.

  • Capacidade do fornecedor.

  • Transporte.

  • Inspeção após recebimento.

Uma etapa terceirizada com atraso pode afetar todo o restante da programação.

Principais recursos que devem ser planejados

O planejamento pode envolver diferentes tipos de recursos.

Materiais

Incluem matérias-primas, componentes, embalagens e demais itens consumidos durante a fabricação.

É necessário garantir quantidade suficiente e disponibilidade no momento correto.

Máquinas

As máquinas representam parte da capacidade produtiva.

O planejamento deve considerar horas disponíveis, manutenções e compatibilidade com cada operação.

Equipamentos

Além das máquinas principais, equipamentos auxiliares podem ser necessários para transporte, medição, movimentação ou execução de atividades complementares.

Ferramentas

Ferramentas, moldes, dispositivos e acessórios também podem limitar a produção quando existem em quantidade reduzida.

Mão de obra

A equipe precisa estar disponível e preparada para realizar as operações programadas.

Não basta possuir capacidade de máquina se não houver pessoas suficientes para utilizá-la.

Tempo

O tempo é um dos principais recursos do processo.

Cada ordem ocupa determinada quantidade de horas das máquinas e dos profissionais. Por isso, a programação precisa respeitar a disponibilidade existente.

Espaço físico

Algumas operações precisam considerar espaço para produção, movimentação ou armazenamento temporário.

Programar grandes volumes simultaneamente pode gerar acúmulo de materiais entre etapas quando o espaço disponível não é suficiente.

Ao analisar esses recursos em conjunto, o Planejamento de Produção consegue criar uma programação mais coerente com a capacidade real da empresa, reduzindo interrupções provocadas por falta de materiais, equipamentos ou disponibilidade operacional.

Como definir prioridades no Planejamento de Produção?

Definir prioridades é uma etapa essencial do Planejamento de Produção, porque nem todas as ordens podem ser tratadas da mesma forma. Em uma operação industrial, existem pedidos com diferentes prazos, volumes, níveis de urgência, necessidades de materiais e tempos de fabricação. Por isso, a empresa precisa estabelecer critérios claros para determinar o que deve ser produzido primeiro.

Quando não existe uma lógica de priorização, a produção pode ficar concentrada apenas nas urgências do dia. Isso aumenta as mudanças de programação, dificulta o uso equilibrado das máquinas e pode fazer com que pedidos importantes sejam atrasados mesmo quando poderiam ter sido concluídos dentro do prazo.

O ideal é que a prioridade seja definida com base em informações objetivas e atualizadas.

Por que nem todas as ordens podem ter a mesma prioridade?

Duas ordens podem ter características completamente diferentes.

Uma delas pode possuir prazo de entrega para o mesmo dia e utilizar materiais já disponíveis. Outra pode ter entrega prevista para a semana seguinte, mas depender de um componente que ainda não chegou ao estoque.

Também existem situações em que uma ordem precisa ser concluída antes de outra porque faz parte de uma sequência produtiva. Nesse caso, produzir a etapa seguinte antes da anterior não faz sentido operacional.

Por isso, o Planejamento de Produção deve observar mais do que simplesmente a ordem em que os pedidos foram recebidos.

Organizar a sequência de produção

A sequência de produção determina quais ordens serão executadas primeiro e quais entrarão depois.

Essa organização deve considerar:

  • Prazo de entrega.

  • Disponibilidade de materiais.

  • Máquina necessária.

  • Tempo de fabricação.

  • Prioridade comercial.

  • Dependência entre operações.

  • Capacidade disponível.

Uma boa sequência também pode reduzir trocas frequentes de ferramentas, moldes ou configurações.

Por exemplo, se três ordens utilizam a mesma regulagem de máquina, pode ser interessante avaliar a possibilidade de executá-las em sequência, desde que isso não prejudique os prazos dos demais pedidos.

Avaliar os prazos prometidos aos clientes

A data de entrega deve ser um dos principais critérios de priorização.

Se uma ordem possui prazo próximo e ainda tem várias etapas produtivas pela frente, ela pode exigir atenção antecipada.

O importante é avaliar quanto tempo ainda será necessário até sua conclusão.

Uma ordem com entrega em três dias e apenas uma etapa restante pode apresentar menos risco do que outra com entrega em cinco dias, mas que ainda precisa passar por cinco operações diferentes.

Portanto, a prioridade deve considerar o prazo restante em conjunto com o tempo necessário para finalizar o produto.

Identificar pedidos urgentes

Pedidos urgentes podem surgir por diversos motivos, como reposição de estoque, necessidade do cliente ou alterações comerciais.

Essas ordens precisam ser avaliadas antes de serem inseridas imediatamente no início da fila.

Quando uma urgência entra na produção, outras atividades podem precisar ser adiadas. Por isso, é importante analisar quais ordens serão afetadas.

O Planejamento de Produção ajuda a visualizar esse impacto antes de alterar toda a programação.

Considerar a disponibilidade dos materiais

Uma ordem de alta prioridade não poderá avançar se os materiais necessários não estiverem disponíveis.

Antes de posicioná-la na sequência produtiva, é importante verificar:

  • Saldo disponível.

  • Materiais reservados.

  • Componentes em recebimento.

  • Data prevista de chegada.

  • Quantidade necessária.

Essa conferência evita que uma máquina fique reservada para uma ordem que não pode ser executada.

Avaliar a capacidade das máquinas

A priorização também deve considerar os recursos disponíveis.

Uma máquina crítica pode estar com sua capacidade totalmente ocupada, enquanto outra possui períodos livres.

Nesse caso, o planejamento precisa observar quais ordens dependem de cada equipamento e distribuir a carga de maneira coerente.

Quando várias ordens utilizam a mesma máquina, torna-se ainda mais importante definir uma sequência bem estruturada.

Observar as dependências entre etapas

Algumas operações só podem começar quando outras são concluídas.

Por exemplo, uma peça pode precisar passar por corte antes da dobra e pela dobra antes da pintura.

Se a primeira etapa atrasar, todas as seguintes também serão afetadas.

Por isso, o Planejamento de Produção precisa enxergar essas dependências para evitar que setores fiquem aguardando produtos que ainda não foram liberados pelas etapas anteriores.

Critérios para priorizar ordens de produção

Data de entrega

Quanto mais próximo estiver o prazo, maior pode ser a necessidade de priorização.

Entretanto, a análise deve considerar também o tempo restante de fabricação.

Urgência do pedido

Pedidos classificados como urgentes podem receber prioridade, desde que o impacto sobre a programação existente seja analisado.

Disponibilidade de matéria-prima

Ordens com todos os materiais disponíveis podem ser liberadas com maior segurança.

Quando existem itens faltantes, a produção pode precisar aguardar.

Capacidade produtiva

A capacidade disponível em máquinas e setores deve ser considerada para evitar sobrecarga.

Tempo de fabricação

Ordens mais longas podem precisar começar antecipadamente mesmo quando sua entrega não é a mais próxima.

Importância operacional

Algumas ordens podem ser essenciais para manter etapas seguintes funcionando ou abastecer processos internos.

Ordem de chegada

A ordem de chegada pode ser utilizada como critério de desempate quando diferentes pedidos possuem condições semelhantes.


Como organizar a programação da produção?

A programação é o momento em que o Planejamento de Produção é transformado em uma sequência prática de execução.

Depois de definir o que precisa ser produzido, os recursos disponíveis e as prioridades, é necessário organizar quando cada ordem será iniciada, onde será executada e em qual sequência passará pelos setores.

Uma programação bem estruturada ajuda a reduzir conflitos entre ordens, evitar sobrecarga de máquinas e melhorar o acompanhamento dos prazos.

Definir quais produtos serão fabricados

O primeiro passo é identificar quais produtos fazem parte da programação do período.

Essa definição pode considerar:

  • Pedidos confirmados.

  • Reposição de estoque.

  • Previsão de demanda.

  • Ordens já abertas.

  • Pedidos atrasados.

O objetivo é formar uma visão clara do volume que precisa ser produzido.

Determinar as quantidades

Cada ordem precisa possuir uma quantidade definida.

Produzir acima da necessidade pode gerar excesso de estoque, enquanto produzir abaixo pode provocar falta de produtos ou necessidade de uma nova ordem.

Por isso, a quantidade deve ser calculada com base na demanda real e, quando necessário, nos estoques existentes.

Estabelecer datas de início e término

Cada ordem deve possuir uma previsão de início e de conclusão.

Essas datas precisam considerar:

  • Tempo de preparação.

  • Tempo de fabricação.

  • Disponibilidade da máquina.

  • Disponibilidade dos materiais.

  • Dependência de etapas anteriores.

  • Prazo final de entrega.

O Planejamento de Produção precisa trabalhar com datas possíveis de serem cumpridas, e não apenas com o prazo desejado.

Distribuir as ordens entre máquinas e setores

Depois de determinar quando as ordens serão executadas, é preciso definir onde elas passarão.

Uma mesma ordem pode envolver diferentes setores.

Exemplo:

  • Corte.

  • Usinagem.

  • Montagem.

  • Pintura.

  • Inspeção.

  • Embalagem.

Cada operação precisa ser programada no recurso correspondente.

Essa distribuição ajuda a identificar antecipadamente possíveis conflitos.

Definir responsáveis

A programação também pode indicar quais equipes ou responsáveis acompanharão determinada operação.

Isso facilita a organização das atividades e reduz dúvidas durante a execução.

Em ambientes com vários turnos, essa informação pode ser ainda mais importante.

Organizar a sequência das operações

A sequência deve respeitar as dependências do processo.

Uma etapa não pode ser programada antes de sua atividade anterior quando ambas dependem diretamente uma da outra.

Além disso, a sequência pode ser utilizada para melhorar o aproveitamento das máquinas.

Por exemplo, produtos que utilizam configurações semelhantes podem ser agrupados quando essa decisão não comprometer prioridades e prazos.

Informações de uma programação de produção

Uma programação pode reunir informações como:

Produto: identifica o item que será produzido.

Quantidade: mostra o volume previsto.

Ordem de produção: identifica o documento utilizado para acompanhar a fabricação.

Máquina: informa qual equipamento será utilizado.

Setor: indica onde a operação será executada.

Data de início: mostra quando a ordem deve começar.

Data prevista de término: define quando a produção deverá ser finalizada.

Prioridade: ajuda a organizar a sequência.

Status: mostra se a ordem está aguardando, em execução, parada ou concluída.

Essas informações permitem acompanhar a programação de forma estruturada e facilitam ajustes quando surgem alterações na operação.


Como evitar gargalos, atrasos e falta de materiais?

Gargalos, atrasos e falta de materiais estão entre os principais fatores que podem comprometer o Planejamento de Produção.

Esses problemas nem sempre podem ser totalmente eliminados, mas podem ser identificados antecipadamente quando a empresa acompanha capacidade, estoques, ordens e prazos de forma organizada.

Identificar etapas com capacidade limitada

Um gargalo ocorre quando uma etapa possui capacidade inferior à necessidade de produção.

Se um setor consegue processar 500 unidades por dia, mas recebe 700 unidades diariamente, haverá acúmulo.

A empresa deve identificar quais operações apresentam esse comportamento com frequência.

Essas etapas precisam receber atenção especial durante o planejamento.

Monitorar máquinas sobrecarregadas

Quando uma máquina é utilizada por muitas ordens, sua agenda pode ficar completamente ocupada.

Nesse cenário, qualquer parada pode provocar atrasos em vários pedidos.

O acompanhamento deve considerar:

  • Quantidade de horas programadas.

  • Horas disponíveis.

  • Ordens em espera.

  • Frequência de paradas.

  • Tempo médio das operações.

Essa visão ajuda a evitar uma programação acima da capacidade real.

Verificar os materiais antes de liberar ordens

Uma ordem não deve ser liberada somente porque existe espaço na programação.

Também é necessário verificar se todos os materiais estarão disponíveis.

Caso contrário, a produção pode começar e ser interrompida no meio do processo.

O ideal é realizar a conferência antecipadamente.

Acompanhar atrasos de fornecedores

Materiais comprados precisam chegar antes do momento em que serão utilizados.

Por isso, atrasos de fornecedores devem ser acompanhados e refletidos no planejamento.

Quando um componente essencial não chegar na data prevista, a empresa pode precisar alterar a sequência de produção.

Identificar isso com antecedência reduz o impacto sobre as demais ordens.

Evitar programar acima da capacidade disponível

Programar mais horas do que uma máquina consegue executar cria um atraso já no próprio planejamento.

Se um recurso possui 40 horas disponíveis por semana, não é coerente programar 60 horas no mesmo período sem definir como as 20 horas adicionais serão absorvidas.

O Planejamento de Produção deve trabalhar com limites realistas.

Criar alertas para materiais críticos

Materiais críticos são aqueles que podem interromper a fabricação quando ficam indisponíveis.

Podem ser itens com:

  • Longo prazo de compra.

  • Poucos fornecedores.

  • Consumo elevado.

  • Uso em diversos produtos.

  • Estoque reduzido.

Acompanhar esses materiais ajuda a reduzir paradas causadas por falta de componentes.

Revisar prioridades quando houver mudanças

A programação precisa ser ajustável.

Se uma máquina quebra, um material atrasa ou surge um pedido urgente, as prioridades podem mudar.

Nesse momento, é importante revisar a sequência completa, e não apenas inserir uma nova ordem no início da fila.

Principais sinais de gargalos

Filas de ordens em determinado setor

O acúmulo frequente de ordens indica que a etapa pode não estar conseguindo acompanhar o ritmo dos processos anteriores.

Máquinas constantemente ocupadas

Quando um recurso permanece sempre próximo do limite, pequenos imprevistos podem provocar atrasos significativos.

Produtos aguardando processamento

Materiais parados entre etapas podem indicar falta de capacidade ou problemas de programação.

Atrasos recorrentes

Quando diferentes ordens atrasam sempre na mesma etapa, existe um sinal de restrição.

Acúmulo de materiais entre etapas

Grandes volumes aguardando processamento podem representar desequilíbrio entre capacidades.

Aumento do tempo total de produção

Quando o tempo de atravessamento aumenta sem mudança significativa no produto, é importante verificar filas, esperas e restrições.


Como acompanhar o Planejamento de Produção em tempo real?

Acompanhar o Planejamento de Produção durante a execução permite identificar rapidamente quando aquilo que foi planejado começa a se afastar da realidade.

Não basta criar uma programação no início do período e verificá-la apenas no final.

Durante a produção, diversas situações podem alterar prazos, quantidades e capacidade disponível.

Por isso, as informações precisam ser atualizadas conforme as operações avançam.

Registrar o início e término das operações

Saber quando cada atividade começou e terminou permite comparar os tempos reais com os planejados.

Se uma operação deveria durar duas horas, mas frequentemente utiliza três, o parâmetro de planejamento pode precisar ser revisado.

Essas informações também ajudam a localizar atrasos dentro do processo.

Acompanhar quantidades produzidas

O volume realizado deve ser comparado com o volume previsto.

Se a meta diária era produzir 500 unidades e somente 350 foram concluídas, será necessário identificar o motivo.

Esse acompanhamento evita que a diferença seja descoberta apenas no final do prazo.

Registrar perdas e refugos

Perdas também afetam a quantidade disponível.

Se uma ordem precisa entregar 1.000 unidades e 50 peças forem perdidas durante o processo, talvez seja necessário produzir unidades adicionais.

Registrar essas ocorrências ajuda a manter a programação atualizada.

Monitorar paradas

Paradas podem reduzir significativamente a capacidade disponível.

Elas podem ocorrer por:

  • Falha de máquina.

  • Falta de material.

  • Ajustes.

  • Manutenção.

  • Ausência de operador.

  • Problemas de qualidade.

O tempo de parada deve ser registrado para que a empresa entenda seu impacto sobre a produção.

Atualizar o status das ordens

Cada ordem pode possuir um status que indique sua situação atual.

Exemplos:

  • Aguardando liberação.

  • Aguardando material.

  • Programada.

  • Em produção.

  • Parada.

  • Em inspeção.

  • Concluída.

Essa atualização facilita a identificação rápida das ordens que precisam de atenção.

Comparar previsão e execução

O acompanhamento precisa responder perguntas como:

  • A ordem começou no horário previsto?

  • A quantidade produzida está dentro da meta?

  • O consumo está próximo do esperado?

  • Existe atraso?

  • A data final ainda pode ser cumprida?

Quanto antes o desvio for identificado, maior será a possibilidade de ajustar a programação.

Indicadores importantes

Produção planejada

Mostra quanto deveria ser produzido em determinado período.

Produção realizada

Mostra quanto realmente foi concluído.

Tempo planejado

Representa o tempo previsto para execução das operações.

Tempo realizado

Indica quanto tempo foi efetivamente utilizado.

Índice de atraso

Ajuda a acompanhar ordens ou atividades que não foram concluídas dentro do prazo.

Quantidade de perdas

Mostra o volume perdido durante a fabricação.

Ordens pendentes e concluídas

Permite visualizar quanto trabalho ainda está em aberto e quanto já foi finalizado.

O acompanhamento desses indicadores torna o Planejamento de Produção mais dinâmico e permite realizar ajustes durante a execução.


Planejado x realizado: como analisar os resultados?

A comparação entre planejado e realizado é uma das etapas mais importantes para melhorar o Planejamento de Produção.

O planejado representa aquilo que a empresa esperava executar. O realizado mostra o que realmente aconteceu.

Quando existem diferenças, é necessário identificar suas causas para evitar que os mesmos problemas se repitam.

Comparar a programação com o resultado real

A análise deve considerar diferentes aspectos.

Não basta observar apenas se o produto foi concluído.

Também é importante verificar:

  • Quantidade.

  • Prazo.

  • Horas utilizadas.

  • Materiais consumidos.

  • Perdas.

  • Paradas.

  • Ordens concluídas.

Essa visão permite entender o desempenho completo da operação.

Identificar diferenças de quantidade

Se a empresa planejou produzir 1.000 unidades e concluiu somente 920, existe uma diferença de 80 unidades.

Essa diferença deve ser investigada.

Pode ter sido causada por:

  • Perdas.

  • Paradas.

  • Falta de material.

  • Baixa produtividade.

  • Problemas de qualidade.

  • Tempo insuficiente.

Identificar a causa é mais importante do que apenas registrar a diferença.

Avaliar variações nos prazos

Também é necessário comparar o prazo previsto com o prazo real.

Se uma ordem estava programada para quatro dias e utilizou cinco, o atraso precisa ser analisado.

Quando esse comportamento se repete, o tempo utilizado no planejamento pode estar subestimado.

Analisar o consumo de materiais

O consumo real deve ser comparado com a quantidade prevista.

Diferenças podem indicar:

  • Perdas acima do esperado.

  • Problemas de cadastro.

  • Alterações no processo.

  • Retrabalho.

  • Uso incorreto de materiais.

Essas informações ajudam a melhorar os próximos cálculos.

Verificar as horas utilizadas

As horas reais de máquinas e operadores também devem ser comparadas.

Quando determinada operação utiliza constantemente mais tempo do que o previsto, é necessário revisar os parâmetros.

O Planejamento de Produção se torna mais confiável quando utiliza tempos próximos da realidade.

Identificar os motivos dos desvios

Cada diferença precisa ter uma causa, sempre que possível.

Classificar os motivos dos desvios ajuda a identificar os problemas mais frequentes.

Exemplos:

  • Falta de material.

  • Manutenção.

  • Quebra de máquina.

  • Retrabalho.

  • Ajuste de ferramenta.

  • Espera.

  • Ausência de operador.

  • Alteração de prioridade.

Exemplo de comparação entre planejado e realizado

Indicador Planejado Realizado
Quantidade produzida 1.000 unidades 920 unidades
Tempo de produção 40 horas 46 horas
Perdas 20 unidades 35 unidades
Ordens concluídas 10 8
Prazo médio 4 dias 5 dias

Nesse exemplo, é possível observar diferentes desvios.

A quantidade ficou abaixo do previsto, o tempo aumentou, as perdas foram maiores e menos ordens foram concluídas.

Esses dados precisam ser analisados em conjunto.

Se o aumento de perdas causou retrabalho, por exemplo, isso pode explicar tanto o crescimento do tempo quanto a redução na quantidade final.

Utilizar os resultados nos próximos planejamentos

A comparação não deve servir apenas para produzir relatórios.

Os dados precisam ser utilizados para melhorar as próximas decisões.

Se o histórico demonstra que uma operação leva em média 50 minutos, continuar planejando apenas 35 minutos provavelmente manterá o mesmo problema.

A melhoria ocorre quando os resultados reais passam a alimentar novos parâmetros de planejamento.


Como melhorar o Planejamento de Produção continuamente?

O Planejamento de Produção precisa ser revisado continuamente porque a realidade da empresa muda.

Novos produtos podem ser incluídos, máquinas podem ter alterações de capacidade, fornecedores podem mudar prazos e os tempos de fabricação podem melhorar ou piorar.

Por isso, os parâmetros utilizados precisam acompanhar essas mudanças.

Revisar periodicamente a capacidade produtiva

A capacidade deve ser atualizada quando houver:

  • Novas máquinas.

  • Mudanças de turno.

  • Alterações na equipe.

  • Manutenções.

  • Mudanças no processo.

  • Ganhos de produtividade.

Utilizar uma capacidade antiga pode gerar programações incorretas.

Atualizar os tempos de fabricação

Os tempos de produção precisam refletir a operação atual.

Quando uma melhoria reduz determinada atividade de 30 para 20 minutos, o planejamento deve utilizar o novo tempo.

Da mesma maneira, se um processo passou a demorar mais, esse aumento precisa ser registrado.

Manter cadastros de produtos e materiais organizados

Informações incorretas podem comprometer todo o planejamento.

É importante manter atualizados:

  • Estrutura dos produtos.

  • Quantidades de materiais.

  • Operações.

  • Máquinas.

  • Tempos.

  • Unidades de medida.

Quando esses dados estão corretos, os cálculos ficam mais confiáveis.

Registrar perdas e paradas corretamente

Perdas e paradas fazem parte da realidade operacional.

Ignorá-las pode criar uma visão excessivamente otimista da capacidade.

Registrar esses eventos permite identificar padrões e definir ações de melhoria.

Acompanhar indicadores de desempenho

Indicadores ajudam a identificar tendências.

É possível acompanhar:

  • Volume produzido.

  • Atendimento de prazos.

  • Horas utilizadas.

  • Quantidade de perdas.

  • Paradas.

  • Ordens atrasadas.

  • Diferença entre planejado e realizado.

A análise histórica desses dados ajuda a compreender onde estão os principais desvios.

Revisar critérios de prioridade

Os critérios utilizados para priorizar ordens também precisam ser avaliados.

Se pedidos urgentes aparecem constantemente, pode existir um problema no processo anterior ao planejamento.

Da mesma forma, se pedidos importantes são frequentemente ultrapassados por ordens menores, o método de priorização pode precisar de ajustes.

Integrar produção, estoque e compras

Essas áreas precisam trabalhar com informações compatíveis.

A produção depende dos materiais disponíveis.

O estoque precisa conhecer as necessidades futuras.

Compras precisa saber quando os materiais serão utilizados.

Quando as informações são centralizadas, o Planejamento de Produção consegue trabalhar com uma visão mais completa da operação.

Utilizar históricos para melhorar previsões

Dados anteriores são importantes para calcular tempos e capacidades mais próximos da realidade.

O histórico pode mostrar:

  • Tempo médio de fabricação.

  • Frequência de atrasos.

  • Consumo real de materiais.

  • Perdas médias.

  • Paradas recorrentes.

  • Variação da demanda.

Essas informações reduzem decisões baseadas somente em estimativas.

Centralizar as informações em um sistema de gestão ou PCP

Quando informações de produção estão espalhadas em diferentes controles, acompanhar mudanças pode se tornar mais difícil.

Um sistema de gestão ou PCP pode centralizar dados sobre:

  • Ordens de produção.

  • Estoques.

  • Necessidades de materiais.

  • Programação.

  • Apontamentos.

  • Capacidade.

  • Prazos.

  • Indicadores.

Essa centralização facilita a comparação entre planejamento e execução e permite identificar alterações com maior rapidez.

Um Planejamento de Produção atualizado permite definir prazos, recursos e prioridades com maior organização, equilibrar capacidade e demanda e acompanhar a evolução das ordens durante todo o processo produtivo.

Conclusão

O Planejamento de Produção é fundamental para organizar de forma mais eficiente os prazos, recursos e prioridades envolvidos no processo produtivo. Quando a empresa consegue visualizar antecipadamente o que precisa ser produzido, em qual quantidade e dentro de qual período, torna-se mais fácil distribuir as atividades e evitar sobrecargas na operação.

Além disso, o planejamento permite avaliar a disponibilidade de matérias-primas, máquinas, equipamentos, mão de obra e tempo antes da liberação das ordens. Esse cuidado ajuda a reduzir situações como falta de materiais, interrupções durante a fabricação, atrasos nas entregas e excesso de ordens concentradas nos mesmos recursos.

Outro ponto importante é a definição de prioridades. Nem todos os pedidos possuem o mesmo prazo ou nível de urgência, por isso é necessário estabelecer critérios claros para organizar a sequência produtiva. Datas de entrega, disponibilidade de materiais, capacidade produtiva, tempo de fabricação e dependência entre etapas são alguns dos fatores que devem ser considerados.

Acompanhar o que foi planejado e comparar com o que realmente foi executado também permite identificar diferenças de prazo, quantidade, consumo e produtividade. Essas informações ajudam a ajustar os próximos planejamentos e tornam as decisões cada vez mais alinhadas com a realidade da empresa.

Manter o Planejamento de Produção atualizado contribui para uma operação mais organizada, reduz improvisos e facilita a integração entre produção, estoque e compras. Com informações confiáveis e acompanhamento contínuo, a empresa consegue utilizar melhor seus recursos, estabelecer prazos mais realistas e responder com maior rapidez às mudanças que acontecem durante o processo produtivo.

 

confira mais conteúdos no nosso blog.

Próximo passo

Quer aplicar isso no seu PCP?

Veja o ProduçãoPro em uma demonstração rápida e objetiva com o seu cenário industrial.

Perguntas frequentes

É o processo de organizar o que será produzido, em qual quantidade, prazo e com quais recursos.

As prioridades podem ser definidas considerando prazo de entrega, urgência, materiais disponíveis, capacidade produtiva e tempo de fabricação.

Porque ela mostra quanto a empresa consegue produzir dentro de determinado período com os recursos disponíveis.

É importante acompanhar materiais, capacidade das máquinas, prazos das ordens e possíveis gargalos durante a execução.

ProduçãoPro

Do planejamento ao chão de fábrica, no mesmo fluxo

ERP + PCP para indústria com estoque, produção e fiscal conectados.