Planejamento das Necessidades de Materiais MRP: 7 Etapas para Melhorar a Produção

Aprenda as principais etapas para organizar materiais, estoques, compras e produção com mais eficiência.

  • 25 ago 2026
  • 27 min de leitura
  • Paola
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Planejamento das Necessidades de Materiais MRP: 7 Etapas para Melhorar a Produção
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Manter matérias-primas, componentes e insumos disponíveis no momento correto é um dos principais desafios da indústria. Quando um material não está disponível na data prevista, uma ordem de produção pode ser atrasada, máquinas podem permanecer paradas e outros processos da fábrica também podem ser afetados. Por outro lado, comprar grandes quantidades apenas para evitar a falta de materiais pode aumentar os custos de armazenamento e deixar recursos financeiros imobilizados no estoque.

Nesse cenário, o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP ajuda a organizar as necessidades relacionadas à produção. A lógica consiste em analisar o que precisa ser produzido, verificar quais materiais compõem cada produto, conferir o que já está disponível e calcular quanto ainda precisa ser comprado ou fabricado.

Dessa forma, o MRP estabelece uma ligação direta entre demanda, estoque, compras e produção. Se uma indústria precisa fabricar determinada quantidade de produtos, é necessário conhecer quais componentes serão utilizados e em quais quantidades. Depois disso, o estoque disponível e os recebimentos programados são considerados para determinar as necessidades restantes.

O processo procura responder principalmente a três perguntas: quais materiais serão necessários, em qual quantidade e em que momento eles deverão estar disponíveis. Essas informações permitem que compras e produção sejam planejadas com maior antecedência.

Entretanto, a qualidade dos resultados depende diretamente das informações utilizadas. Estoques incorretos, estruturas de produtos desatualizadas, prazos de fornecedores imprecisos e previsões de demanda inconsistentes podem gerar necessidades diferentes da realidade.

Para compreender como esse planejamento funciona, é possível dividir o processo em sete etapas principais: identificação da demanda, organização da estrutura dos produtos, conferência dos estoques, cálculo das necessidades, consideração dos prazos e lotes, geração das ordens e acompanhamento contínuo dos resultados.

Ao utilizar essas etapas de forma integrada, a empresa consegue criar uma rotina mais organizada para abastecer a produção, diminuir compras emergenciais e reduzir tanto o risco de falta quanto o excesso de materiais.


Etapa 1: identificar a demanda e definir o que precisa ser produzido

O ponto de partida do Planejamento das Necessidades de Materiais MRP é descobrir o que a empresa precisa produzir em determinado período. Antes de calcular matérias-primas ou gerar pedidos de compra, é necessário definir quais produtos acabados serão fabricados, em quais quantidades e dentro de quais prazos.

Sem essa informação inicial, todo o restante do planejamento pode ficar comprometido. Afinal, a necessidade de materiais existe porque há uma necessidade anterior de produzir determinados itens.

Análise da demanda

A demanda representa a quantidade de produtos que deverá ser atendida pela produção. Ela pode ser formada por diferentes fontes, dependendo da maneira como a indústria trabalha.

Pedidos confirmados de clientes normalmente possuem maior nível de certeza, pois representam vendas já realizadas. A carteira de pedidos ajuda a visualizar os compromissos assumidos para os próximos dias, semanas ou meses.

A previsão de vendas também pode ser utilizada, principalmente em empresas que produzem antecipadamente para formar estoque. Nesse caso, dados históricos, comportamento do mercado e sazonalidade podem ajudar a estimar o volume necessário.

Imagine, por exemplo, uma indústria que comercializa produtos com maior procura em determinados períodos do ano. Se o aumento da demanda já é conhecido, a empresa pode antecipar o planejamento dos materiais necessários para atender a esse período.

Além disso, podem existir prioridades comerciais. Um pedido de cliente estratégico, uma entrega contratual ou uma reposição urgente pode exigir mudanças no planejamento originalmente definido.

Por isso, a demanda deve ser analisada de forma organizada, considerando informações como:

  • pedidos confirmados;

  • carteira de pedidos;

  • previsões de venda;

  • histórico de consumo;

  • sazonalidade;

  • necessidades futuras;

  • prioridades de atendimento.

Quanto mais confiável for essa base, maior será a capacidade de transformar a demanda em um plano de produção coerente.

Plano Mestre de Produção

Depois de compreender a demanda, é possível definir o Plano Mestre de Produção, frequentemente conhecido como PMP ou MPS. Ele transforma as necessidades comerciais em uma programação de produtos acabados.

O Plano Mestre estabelece quais produtos deverão ser fabricados, as quantidades previstas e os períodos em que a produção deverá acontecer.

Se uma indústria precisa entregar 500 unidades de um produto durante o próximo mês, o plano pode distribuir essa fabricação ao longo das semanas. Em vez de trabalhar apenas com uma necessidade genérica de 500 unidades, a empresa passa a saber quando cada parcela precisará estar pronta.

Essa divisão é essencial para o cálculo dos materiais. Se todos os componentes fossem comprados imediatamente, o estoque poderia aumentar antes do necessário. Quando as necessidades são organizadas por períodos, o abastecimento pode acompanhar o ritmo da produção.

O Plano Mestre também auxilia na definição das prioridades. Quando existem vários produtos concorrendo pelos mesmos recursos, materiais ou máquinas, a empresa precisa determinar a sequência adequada para cumprir os prazos.

Importância de trabalhar com uma demanda atualizada

A demanda industrial não permanece necessariamente igual ao longo do tempo. Clientes podem aumentar pedidos, cancelar itens ou alterar datas. Novas vendas podem surgir, enquanto previsões anteriores podem deixar de fazer sentido.

Cada alteração pode modificar a necessidade dos componentes relacionados.

Se a produção planejada de um produto aumentar de 100 para 150 unidades, por exemplo, todos os materiais utilizados nesse item também deverão ser recalculados. Caso a demanda diminua, compras ainda não realizadas podem deixar de ser necessárias.

Por esse motivo, o planejamento não deve ser tratado como um cálculo realizado uma única vez. A demanda precisa ser revisada periodicamente para que as necessidades de materiais acompanhem as condições mais recentes da operação.

Essa atualização constante cria uma base mais confiável para as próximas etapas e reduz o risco de trabalhar com quantidades que já não correspondem às necessidades reais da produção.


Etapa 2: organizar a estrutura dos produtos e a lista de materiais

Depois de definir o que será produzido, a próxima etapa do Planejamento das Necessidades de Materiais MRP consiste em identificar tudo o que será necessário para fabricar cada produto. Para isso, a empresa precisa manter estruturas de produto organizadas e atualizadas.

A estrutura funciona como uma representação da composição de cada item fabricado. Ela informa quais matérias-primas, componentes, subconjuntos e produtos intermediários participam do processo.

O que é uma estrutura de produto?

Um produto acabado raramente é formado por apenas um material. Dependendo do setor industrial, ele pode possuir dezenas ou até centenas de componentes.

Uma estrutura de produto apresenta essa composição de maneira hierárquica.

Considere um produto acabado que utiliza dois componentes principais. Um desses componentes pode ser comprado pronto, enquanto o outro é fabricado internamente utilizando duas matérias-primas diferentes. Nesse caso, existem vários níveis de necessidade.

A estrutura permite identificar essas relações antes de calcular os materiais.

Além de informar quais itens participam da fabricação, é necessário registrar a quantidade de cada componente utilizada para produzir uma unidade do produto acabado.

Se um produto exige três unidades de um componente e a empresa planeja fabricar 200 produtos, a necessidade inicial desse componente será de 600 unidades.

É essa relação entre quantidade produzida e consumo de componentes que permite realizar os cálculos posteriormente.

Lista de materiais — BOM

A lista de materiais, também conhecida pela sigla BOM, reúne os itens necessários para fabricar um produto.

Ela pode conter:

  • matérias-primas;

  • componentes comprados;

  • subconjuntos;

  • produtos intermediários;

  • embalagens utilizadas na fabricação;

  • quantidades consumidas;

  • unidades de medida;

  • percentuais de perda previstos.

Cada informação influencia o resultado do planejamento.

A unidade de medida, por exemplo, deve estar corretamente cadastrada. Um item pode ser comprado em quilogramas e utilizado na produção em gramas. Sem uma conversão adequada, o cálculo pode apresentar valores incorretos.

As perdas também merecem atenção. Alguns processos industriais apresentam aparas, evaporação, refugos ou outras perdas inevitáveis. Quando esse percentual é conhecido, ele pode ser incorporado ao planejamento.

Se a fabricação exige teoricamente 100 quilos de matéria-prima, mas há uma perda média de 5%, planejar exatamente 100 quilos pode não ser suficiente para concluir a produção.

Níveis da estrutura do produto

Uma estrutura pode possuir vários níveis.

De forma simplificada:

Produto acabado → componente → matéria-prima.

Imagine que uma empresa fabrique um equipamento composto por um gabinete, um conjunto elétrico e uma embalagem. O conjunto elétrico, por sua vez, pode utilizar fios, conectores e placas.

Ao calcular a necessidade do equipamento final, o MRP precisa primeiro identificar os componentes de primeiro nível e depois continuar analisando os níveis inferiores.

Esse processo permite chegar às matérias-primas básicas necessárias para cumprir todo o plano de produção.

Quanto maior a complexidade do produto, mais importante se torna manter uma estrutura clara.

Por que cadastros incorretos prejudicam o MRP?

O cálculo somente será confiável se a estrutura cadastrada representar corretamente a fabricação real.

Se um componente deveria possuir consumo de duas unidades, mas o cadastro indica apenas uma, a quantidade planejada será menor do que a necessária.

O problema contrário também ocorre. Se o sistema indicar consumo de quatro unidades quando a fabricação utiliza apenas duas, poderão ser geradas compras superiores à necessidade real.

Entre as consequências de cadastros incorretos estão:

  • falta de materiais;

  • excesso de estoque;

  • compras desnecessárias;

  • cálculos incorretos;

  • atrasos na produção;

  • divergências entre planejamento e consumo real.

Alterações de engenharia também precisam ser refletidas rapidamente. Quando um produto muda de composição, sua estrutura deve acompanhar essa mudança.

Revisões periódicas da lista de materiais ajudam a manter o planejamento alinhado ao processo produtivo. Dessa maneira, a empresa evita utilizar informações antigas para calcular necessidades futuras.


Etapa 3: verificar o estoque disponível antes de calcular as necessidades

Saber quanto será necessário para produzir não significa que toda essa quantidade precise ser comprada. O Planejamento das Necessidades de Materiais MRP considera o que a empresa já possui antes de gerar novas necessidades.

Essa etapa evita que materiais disponíveis sejam ignorados e reduz a possibilidade de criar pedidos desnecessários.

Saldo atual dos materiais

O primeiro ponto é conhecer o estoque atual de cada item. Entretanto, simplesmente observar a quantidade física armazenada nem sempre é suficiente.

Parte desse estoque pode já estar reservada para outras ordens de produção. Alguns materiais podem estar bloqueados devido a problemas de qualidade ou aguardando inspeção. Outros podem estar comprometidos com pedidos específicos.

Por isso, é importante diferenciar conceitos como estoque físico e estoque disponível.

O estoque físico representa o total registrado ou encontrado no armazém. Já o estoque disponível corresponde à parcela que realmente pode ser utilizada para atender às novas necessidades.

Por exemplo, uma matéria-prima pode possuir 500 unidades fisicamente armazenadas, mas 300 já estão reservadas para ordens liberadas anteriormente. Para um novo planejamento, apenas as 200 unidades restantes devem ser consideradas como disponíveis.

Uma visão mais detalhada pode contemplar:

  • saldo físico;

  • saldo disponível;

  • quantidade reservada;

  • quantidade comprometida;

  • materiais bloqueados;

  • materiais aguardando inspeção.

Essa separação reduz o risco de utilizar o mesmo estoque para atender duas necessidades diferentes.

Estoque mínimo e estoque de segurança

Nem todo o saldo disponível deve necessariamente ser consumido pelo planejamento. Determinados materiais precisam manter uma quantidade mínima para proteger a operação contra variações.

O estoque de segurança pode ser utilizado para absorver situações como atraso de fornecedor, aumento inesperado da demanda ou consumo superior ao previsto.

Considere uma matéria-prima com necessidade futura de 300 unidades e estoque atual de 350. À primeira vista, não seria necessário comprar nada.

Entretanto, se a política da empresa determina um estoque de segurança de 100 unidades, consumir 300 deixaria apenas 50 unidades disponíveis. Nesse caso, o cálculo precisa considerar uma reposição para preservar o nível de segurança estabelecido.

A definição desse nível deve considerar fatores como criticidade, consumo, prazo de reposição e variação da demanda.

Um estoque de segurança muito elevado pode aumentar os custos. Um nível muito baixo pode não proteger adequadamente a operação.

Recebimentos programados

Além do estoque já armazenado, também é necessário observar materiais que deverão chegar antes da data em que serão utilizados.

Esses recebimentos podem vir de:

  • pedidos de compra já emitidos;

  • ordens de produção de componentes;

  • transferências entre depósitos;

  • reposições anteriormente planejadas.

Suponha que a indústria precise de 500 unidades de determinado componente dentro de 20 dias. O estoque atual é de 200 unidades, mas existe um pedido de compra de outras 300 unidades com entrega prevista para daqui a 10 dias.

Se esse recebimento for confiável, não existe necessidade de gerar uma nova compra para as 300 unidades que já estão programadas.

Ignorar pedidos em aberto pode duplicar o abastecimento.

Importância da acuracidade do estoque

O MRP trabalha com informações registradas. Se o sistema mostrar 500 unidades enquanto existem apenas 300 fisicamente, o cálculo poderá concluir que há material suficiente quando, na realidade, haverá falta.

O contrário também prejudica a operação. Se existem 500 unidades fisicamente, mas apenas 300 estão registradas, o planejamento poderá sugerir uma compra desnecessária.

Por isso, a acuracidade do estoque é uma das bases para um planejamento confiável.

Inventários, conferências de movimentações, controle de entradas e saídas e padronização dos registros ajudam a diminuir divergências.

Quanto mais atualizado estiver o estoque, maior será a capacidade de transformar as necessidades calculadas em decisões realmente úteis para compras e produção.


Etapa 4: calcular as necessidades brutas e líquidas de materiais

Com a demanda definida, as estruturas dos produtos organizadas e o estoque conferido, o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP passa para uma de suas etapas centrais: calcular quanto de cada material será realmente necessário.

Esse processo diferencia a quantidade total exigida pela produção da quantidade que ainda precisa ser providenciada.

Necessidade bruta

A necessidade bruta representa o volume total de um material requerido para atender ao plano de produção antes de considerar o que já está disponível.

Se uma empresa planeja fabricar 400 unidades de determinado produto e cada unidade consome dois componentes, a necessidade bruta será de 800 componentes.

O cálculo pode parecer simples quando existe apenas um nível, mas se torna mais amplo quando a estrutura possui componentes intermediários.

Um subconjunto utilizado no produto final pode exigir outras matérias-primas. Nesse caso, a necessidade do subconjunto precisa ser transformada na necessidade de todos os itens que fazem parte dele.

Necessidade líquida

Depois de descobrir a necessidade bruta, o planejamento verifica quanto dessa necessidade já pode ser atendido pelos recursos existentes.

Uma representação simplificada é:

Necessidade líquida = necessidade bruta − estoque disponível − recebimentos previstos + estoque de segurança necessário.

Essa lógica evita gerar reposições para materiais que a empresa já possui ou receberá dentro do prazo adequado.

Considere uma necessidade bruta de 1.000 unidades. A empresa possui 300 unidades disponíveis e outras 200 estão previstas para chegar antes da produção.

Sem considerar estoque de segurança, a necessidade líquida será de 500 unidades.

Se a política exigir que 100 unidades permaneçam como segurança, a necessidade poderá subir para 600 unidades.

Esse cálculo precisa respeitar não apenas quantidades, mas também datas. Um pedido de compra previsto para chegar depois da necessidade da produção não pode ser tratado como disponível para aquela data.

Explosão das necessidades

A chamada explosão das necessidades é o processo de percorrer a estrutura do produto e transformar o plano de fabricação em necessidades dos componentes.

Imagine um produto acabado composto por:

  • duas unidades do componente A;

  • uma unidade do componente B.

O componente B, por sua vez, utiliza:

  • três unidades da matéria-prima C;

  • duas unidades da matéria-prima D.

Se o plano exige 100 produtos acabados, serão necessárias inicialmente 200 unidades do componente A e 100 do componente B.

Como cada componente B utiliza três unidades de C e duas de D, também serão necessárias 300 unidades de C e 200 unidades de D.

O sistema continua essa análise até chegar aos níveis mais baixos da estrutura.

Depois, os saldos de estoque e recebimentos são descontados em cada item para determinar as necessidades líquidas.

Exemplo simplificado de cálculo

Considere uma indústria que deseja produzir 100 unidades de um produto. Cada unidade utiliza três unidades de determinada matéria-prima.

O primeiro cálculo será:

100 produtos × 3 unidades = 300 unidades de necessidade bruta.

Agora considere:

  • necessidade bruta: 300 unidades;

  • estoque disponível: 80 unidades;

  • recebimento programado: 50 unidades;

  • estoque de segurança: zero.

O cálculo será:

300 − 80 − 50 = 170 unidades.

Assim, embora a produção exija 300 unidades no total, apenas 170 precisam ser providenciadas adicionalmente.

Se a empresa comprasse todas as 300 unidades sem verificar o estoque e os pedidos abertos, terminaria com 130 unidades além do necessário para aquela demanda.

Por que esse cálculo reduz excessos de estoque?

Uma das vantagens dessa lógica é justamente evitar reposições baseadas apenas no consumo bruto.

Antes de gerar uma nova necessidade, são considerados os materiais que já estão disponíveis e aqueles que chegarão dentro do prazo.

Isso pode reduzir compras antecipadas e melhorar a utilização do capital empregado no estoque.

Ao mesmo tempo, o cálculo ajuda a identificar faltas com antecedência. Quando o saldo disponível não consegue atender à produção futura, a necessidade aparece antes do momento em que o material será consumido.

Assim, compras e produção conseguem agir de maneira planejada em vez de descobrir a falta apenas quando a ordem já está em execução.


Etapa 5: considerar lead time, lotes e datas de reposição

Saber quanto comprar ou produzir resolve apenas parte do problema. O Planejamento das Necessidades de Materiais MRP também precisa determinar quando cada material deve ser providenciado.

Um item comprado na quantidade correta, mas entregue depois da data de utilização, ainda pode provocar atraso na produção.

O que é lead time no MRP?

Lead time representa o tempo necessário entre o início de uma atividade de reposição e a disponibilidade do material para utilização.

No caso de um item comprado, esse prazo pode incluir:

  • preparação do pedido;

  • prazo do fornecedor;

  • transporte;

  • recebimento;

  • conferência;

  • inspeção de qualidade;

  • movimentação até o estoque.

Para componentes produzidos internamente, o lead time pode envolver preparação, fabricação, movimentação e inspeção.

É importante considerar o prazo real do processo, e não apenas uma estimativa genérica.

Se um fornecedor normalmente leva 12 dias para entregar, registrar cinco dias no planejamento pode gerar pedidos liberados tarde demais.

Cálculo das datas de necessidade

O planejamento utiliza a data em que o material precisa estar disponível e trabalha retroativamente para identificar quando a reposição deve começar.

Imagine que determinada matéria-prima precise estar disponível no dia 20. O lead time total é de 10 dias.

Nesse caso, a empresa precisa iniciar o processo de reposição aproximadamente 10 dias antes, considerando também calendários de trabalho, finais de semana e possíveis restrições operacionais.

Esse planejamento para trás permite relacionar a necessidade de produção com a data correta de compra.

Itens com lead times diferentes terão datas de liberação distintas, mesmo quando serão utilizados no mesmo produto.

Um componente importado com prazo de 60 dias pode precisar ser comprado muito antes de outro item nacional com entrega em cinco dias.

Tamanho dos lotes

Outra variável importante é a política de lotes.

Nem sempre a empresa pode comprar exatamente a necessidade calculada. Alguns fornecedores trabalham com quantidades mínimas ou múltiplos obrigatórios.

Se o cálculo indicar necessidade de 430 unidades, mas o fornecedor comercializa apenas caixas com 100 unidades, poderá ser necessário comprar 500.

O mesmo ocorre na produção interna. Determinados processos possuem lotes mínimos devido a tempo de preparação de máquinas, capacidade dos equipamentos ou características técnicas.

Entre os fatores que podem influenciar o tamanho do lote estão:

  • lote mínimo de compra;

  • múltiplos de fornecimento;

  • quantidade mínima de produção;

  • capacidade de máquina;

  • capacidade de armazenamento;

  • custos relacionados à preparação;

  • frequência de reposição.

O objetivo é equilibrar viabilidade operacional e nível de estoque.

Impactos de lead times incorretos

Prazos mal cadastrados podem comprometer toda a programação.

Se o lead time estiver menor do que o prazo real, o material poderá chegar depois da data necessária. Isso aumenta o risco de:

  • interrupções;

  • reprogramações;

  • compras emergenciais;

  • atrasos nas entregas.

Quando o prazo cadastrado é muito maior do que o real, o efeito pode ser o oposto. O MRP pode recomendar compras antecipadas, fazendo o material permanecer armazenado por mais tempo.

Isso eleva estoque e necessidade de espaço.

Por esse motivo, os lead times devem ser acompanhados e atualizados com base no desempenho real dos fornecedores e dos processos internos.

A mesma atenção deve ser dada aos lotes. Mudanças de fornecedores, contratos ou processos produtivos podem alterar quantidades mínimas e prazos.

Ao manter essas informações atualizadas, a empresa consegue transformar o cálculo de materiais em um cronograma de abastecimento mais coerente com a realidade.


Etapa 6: gerar e acompanhar ordens de compra e produção

Após calcular quantidades e datas, o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP precisa transformar as necessidades identificadas em ações operacionais.

Isso significa gerar sugestões ou ordens destinadas à compra de matérias-primas e à fabricação de componentes internos.

Sugestões de compra

Quando o cálculo identifica que um item comprado não estará disponível em quantidade suficiente, pode ser criada uma sugestão de aquisição.

Essa sugestão normalmente precisa apresentar informações como:

  • material;

  • quantidade necessária;

  • data em que deverá estar disponível;

  • fornecedor relacionado;

  • prazo de entrega;

  • lote de compra.

A área responsável pode analisar essas informações antes de emitir efetivamente o pedido.

Esse processo reduz a dependência de análises manuais realizadas item por item. Em operações com centenas ou milhares de materiais, verificar cada saldo separadamente seria demorado e sujeito a erros.

As sugestões também permitem avaliar prioridades.

Um material que será necessário em três dias provavelmente exige atenção diferente de outro previsto para daqui a três meses.

Ordens de produção

Nem todas as necessidades resultam em compras.

Quando um componente é fabricado internamente, a necessidade líquida pode gerar uma nova ordem de produção.

Essa ordem deve considerar a quantidade necessária e a data em que o componente precisará estar disponível para o nível superior da estrutura.

Imagine um produto acabado que utiliza um subconjunto fabricado pela própria indústria. Para montar o produto final no dia 25, o subconjunto pode precisar estar pronto no dia 22.

Se sua fabricação demora cinco dias, a ordem deve começar antes dessa data.

Essa relação cria uma cadeia de dependências entre diferentes níveis do produto.

Priorização das necessidades

Nem todas as ordens possuem o mesmo nível de urgência ou importância.

A priorização pode considerar:

  • prazo de entrega ao cliente;

  • criticidade do material;

  • disponibilidade atual;

  • impacto da falta;

  • valor do pedido;

  • sequência de produção;

  • prioridade comercial.

Um componente utilizado em diversos produtos pode exigir atenção especial, pois sua falta pode afetar várias ordens simultaneamente.

Da mesma maneira, materiais com poucos fornecedores ou longos prazos de reposição podem exigir acompanhamento mais cuidadoso.

Integração entre compras, estoque e produção

O resultado do MRP não deve ficar isolado em apenas um setor.

Compras precisa conhecer as necessidades de aquisição. O estoque precisa registrar corretamente recebimentos e consumos. A produção precisa atualizar ordens e alterações no cronograma.

Quando essas áreas utilizam bases separadas, podem surgir divergências.

Compras pode acreditar que determinada quantidade ainda é necessária enquanto a produção já cancelou uma ordem. O estoque pode receber material, mas se a entrada não for atualizada, o planejamento continuará indicando falta.

Por isso, a circulação das informações é tão importante quanto o próprio cálculo.

Acompanhamento das ordens

Gerar uma ordem não garante que ela será cumprida conforme planejado.

Pedidos podem atrasar, fornecedores podem realizar entregas parciais e ordens internas podem levar mais tempo do que o previsto.

Por isso, é importante acompanhar:

  • pedidos abertos;

  • ordens em produção;

  • datas prometidas;

  • atrasos;

  • entregas parciais;

  • quantidades recebidas;

  • alterações de prazo;

  • cancelamentos.

Se um fornecedor informar que determinada matéria-prima chegará cinco dias depois, essa informação deve retornar ao planejamento.

O atraso pode modificar a programação da produção, exigir mudança de prioridade ou demandar outra solução de abastecimento.

Dessa forma, a etapa não termina quando a ordem é criada. O acompanhamento garante que o planejamento continue refletindo o que realmente está acontecendo na operação.


Etapa 7: acompanhar resultados e replanejar as necessidades

O ambiente industrial está sujeito a mudanças constantes. Por isso, o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP precisa ser tratado como um processo contínuo, e não como uma programação definitiva.

Mesmo um planejamento elaborado com informações corretas pode precisar ser alterado diante de novos acontecimentos.

Por que o MRP precisa ser atualizado?

Diversas situações podem modificar as necessidades previamente calculadas.

Entre elas estão:

  • entrada de novos pedidos;

  • cancelamentos;

  • alteração de quantidades;

  • mudança de datas de entrega;

  • atraso de fornecedores;

  • perdas acima do esperado;

  • alteração do estoque;

  • mudanças no Plano Mestre;

  • reprogramação de ordens.

Imagine que uma matéria-prima estava prevista para chegar em uma semana, mas o fornecedor informa um atraso de 15 dias. Embora a quantidade comprada continue correta, sua data de disponibilidade deixou de atender à produção.

O planejamento precisa identificar esse impacto.

Da mesma forma, se um cliente cancelar um pedido significativo, parte das compras programadas pode deixar de ser necessária.

Replanejamento dos materiais

Replanejar significa recalcular as necessidades utilizando as informações mais recentes.

O processo pode resultar em diferentes ações:

  • antecipar uma compra;

  • postergar um pedido;

  • aumentar quantidades;

  • diminuir quantidades;

  • cancelar uma necessidade;

  • alterar prioridades;

  • reagendar ordens de produção.

Essa flexibilidade é importante para impedir que decisões antigas continuem sendo executadas mesmo quando o cenário já mudou.

Entretanto, mudanças frequentes também precisam ser administradas com cuidado. Alterar ordens constantemente pode provocar instabilidade na fábrica e no relacionamento com fornecedores.

Por isso, é necessário avaliar quais mudanças realmente exigem intervenção.

Indicadores para acompanhar o MRP

Os resultados podem ser acompanhados por indicadores capazes de mostrar se o planejamento está contribuindo para a operação.

Um deles é a falta de materiais. Se a quantidade de ordens paradas por ausência de componentes permanece elevada, pode existir problema nos cadastros, prazos ou cálculos.

O nível de estoque também é relevante. Estoques crescendo continuamente podem indicar compras antecipadas, lotes excessivos ou parâmetros inadequados.

Outros indicadores que podem ser avaliados incluem:

  • giro de estoque;

  • cobertura de estoque;

  • rupturas;

  • cumprimento do plano de produção;

  • atrasos de fornecedores;

  • número de compras emergenciais;

  • acuracidade do estoque;

  • ordens reprogramadas;

  • materiais obsoletos.

A análise conjunta é mais útil do que observar apenas um indicador isoladamente.

Um estoque muito baixo pode parecer positivo do ponto de vista financeiro, mas não será adequado se resultar em frequentes interrupções da produção.

Análise contínua

A finalidade do planejamento não é apenas gerar uma lista de compras.

Os dados produzidos pelo processo podem revelar oportunidades de melhoria.

Se determinado fornecedor atrasa frequentemente, o lead time cadastrado pode precisar ser ajustado ou a estratégia de abastecimento pode ser revista.

Se uma matéria-prima apresenta consumo real sempre acima do previsto, pode existir erro na estrutura do produto, perda não cadastrada ou problema no processo produtivo.

Compras emergenciais recorrentes também merecem investigação.

Ao acompanhar resultados, a empresa transforma o MRP em uma ferramenta de melhoria da gestão de materiais.

O ciclo passa a funcionar de maneira contínua: planejar, executar, acompanhar, comparar e ajustar.

Essa dinâmica ajuda a manter as necessidades alinhadas à realidade da fábrica e permite que decisões futuras sejam baseadas no comportamento observado ao longo da operação.


Como integrar o MRP ao estoque, compras e planejamento da produção

Para funcionar de maneira consistente, o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP depende de informações geradas em diferentes áreas da empresa.

Estoque, compras e PCP precisam compartilhar dados atualizados para que o cálculo represente a realidade.

Integração com o estoque

O estoque fornece parte das informações mais importantes utilizadas pelo planejamento.

Entre elas estão:

  • entradas;

  • saídas;

  • reservas;

  • saldos disponíveis;

  • inventários;

  • estoques mínimos;

  • materiais bloqueados;

  • localização dos itens.

Quando uma matéria-prima é consumida, seu saldo deve ser atualizado. Quando um pedido chega, a entrada também precisa ser registrada.

Se essas movimentações não forem incorporadas ao planejamento, o cálculo continuará utilizando uma posição de estoque desatualizada.

A integração também ajuda a controlar reservas. Uma quantidade destinada a determinada ordem não deve ser considerada livre para outra necessidade.

Inventários periódicos completam esse processo ao verificar se a quantidade registrada corresponde ao estoque físico.

Integração com compras

A área de compras transforma parte das necessidades em pedidos aos fornecedores.

Para isso, precisa receber dados como:

  • materiais necessários;

  • quantidades;

  • datas de necessidade;

  • prazos;

  • fornecedores;

  • pedidos já existentes.

Depois da emissão do pedido, as informações precisam retornar ao planejamento como recebimentos programados.

Essa comunicação evita duplicidade.

Se o sistema sabe que determinada quantidade já foi comprada e possui uma data prevista de entrega, o MRP pode considerar esse volume nos próximos cálculos.

Alterações também devem ser registradas. Se o fornecedor mudar a data, o planejamento precisa considerar o novo prazo.

Esse fluxo permite que compras trabalhe antecipadamente em vez de agir apenas quando o estoque já atingiu níveis críticos.

Integração com PCP

O Planejamento e Controle da Produção fornece informações relacionadas ao que será fabricado e em qual momento.

Entre os dados envolvidos estão:

  • Plano Mestre de Produção;

  • ordens de produção;

  • sequenciamento;

  • datas planejadas;

  • prioridades;

  • capacidade produtiva;

  • componentes necessários.

O MRP transforma essas necessidades produtivas em demandas de materiais.

Ao mesmo tempo, a disponibilidade dos materiais pode influenciar o PCP.

Se um componente essencial estiver atrasado, talvez seja necessário mudar a sequência da fábrica para produzir primeiro itens cujos materiais estão disponíveis.

Essa relação mostra que planejamento de materiais e planejamento da produção precisam funcionar de maneira coordenada.

Centralização das informações

Quando cada setor utiliza controles independentes, aumenta o risco de existirem versões diferentes da mesma informação.

A produção pode utilizar uma planilha, compras outra e o estoque uma terceira fonte.

Nesse cenário, alterações precisam ser replicadas manualmente e podem ser esquecidas.

A centralização reduz problemas relacionados a:

  • registros duplicados;

  • controles paralelos;

  • erros de digitação;

  • informações desatualizadas;

  • divergências de saldo;

  • retrabalho.

Isso não significa eliminar a responsabilidade de cada área, mas permitir que todos trabalhem com dados compatíveis.

Uma atualização de estoque pode alimentar automaticamente o cálculo. Uma nova ordem de produção pode gerar novas necessidades. Um pedido de compra pode ser considerado como recebimento previsto.

Automação do Planejamento das Necessidades de Materiais MRP

Em operações com poucos produtos, alguns cálculos podem ser realizados manualmente. Entretanto, a complexidade cresce rapidamente quando existem muitas estruturas, vários níveis, diferentes depósitos, centenas de ordens e milhares de componentes.

Sistemas de gestão podem automatizar parte dessas atividades.

A partir dos cadastros e movimentações, o sistema pode relacionar:

  • demanda;

  • Plano Mestre;

  • estrutura dos produtos;

  • estoques;

  • pedidos em aberto;

  • lead times;

  • políticas de lote;

  • estoques de segurança.

Com essas informações, pode calcular necessidades e gerar sugestões para análise.

A automação também facilita o replanejamento. Quando uma variável muda, novos cálculos podem ser realizados sem reconstruir todo o processo manualmente.

Entretanto, automatizar não elimina a necessidade de manter os dados corretos.

Um sistema realizará os cálculos com base nas informações cadastradas. Se os saldos, estruturas ou prazos estiverem errados, o resultado também poderá ser inadequado.

Por isso, tecnologia e qualidade da informação precisam caminhar juntas.

Quando estoque, compras e PCP são integrados, a empresa obtém uma visão mais ampla do abastecimento. A produção deixa de ser analisada isoladamente e passa a ser relacionada com disponibilidade, compras futuras e capacidade de atendimento.

Essa integração contribui para uma rotina mais organizada, reduz a necessidade de controles paralelos e oferece condições melhores para tomar decisões sobre materiais antes que a falta ou o excesso se transformem em problemas operacionais.


Conclusão

O Planejamento das Necessidades de Materiais MRP organiza as informações necessárias para definir quais materiais serão utilizados, em quais quantidades e em que momento deverão estar disponíveis para a produção.

As sete etapas apresentadas mostram que esse processo começa muito antes da emissão de um pedido de compra. Primeiro, é necessário compreender a demanda e definir o que será produzido. Depois, a estrutura dos produtos precisa indicar corretamente os componentes envolvidos.

Na sequência, a empresa deve verificar estoques e recebimentos programados antes de calcular as necessidades brutas e líquidas. Lead times, lotes mínimos e datas de reposição complementam esse cálculo, permitindo determinar não apenas quanto será necessário, mas quando a compra ou fabricação deverá começar.

Com essas informações, podem ser geradas ordens de compra e produção. O acompanhamento contínuo permite identificar atrasos, alterações na demanda e mudanças no estoque, possibilitando novos cálculos sempre que necessário.

A qualidade dos cadastros é determinante durante todo o processo. Estruturas incorretas, saldos divergentes ou prazos desatualizados podem produzir decisões incompatíveis com a realidade.

Também é importante manter produção, estoque e compras integrados. Quando essas áreas compartilham informações, diminui a necessidade de registros duplicados e aumenta a capacidade de reagir às alterações da operação.

Aplicado de forma estruturada, o MRP pode contribuir para reduzir faltas de matéria-prima, excesso de estoque, compras emergenciais e interrupções provocadas por problemas de abastecimento.

Mais do que calcular materiais, a metodologia cria uma ligação entre aquilo que a empresa pretende produzir e os recursos necessários para executar esse plano. Com acompanhamento, atualização dos dados e revisão contínua dos parâmetros, a indústria consegue utilizar seus materiais de forma mais organizada e manter o abastecimento alinhado às necessidades da produção.

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Perguntas frequentes

O Planejamento das Necessidades de Materiais MRP é um método utilizado para calcular quais materiais serão necessários, em quais quantidades e em quais datas para atender à produção.

São utilizados dados como demanda, estrutura dos produtos, estoque disponível, recebimentos programados, lead time e tamanho dos lotes.

A necessidade bruta representa o total exigido pela produção. A necessidade líquida considera o estoque disponível e os recebimentos previstos para identificar quanto ainda precisa ser providenciado.

Sim. O método considera os materiais já disponíveis antes de gerar novas necessidades de compra ou produção.

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